Religião certa e sexualidade errada

Com exceção daquelas mais ligadas à Natureza, as religiões atuais foram criadas por homens e refletem a mentalidade patriarcal dominadora

 

Apesar das críticas que frequentemente faço à religião, alguns leitores religiosos prosseguem acompanhando meu trabalho. Talvez esses consigam separar o Ricardo crítico da religião dos outros Ricardos. Talvez apreciem uma boa discussão e percebam como é saudável pra humanidade confrontar diferentes pontos de vista. Talvez até mesmo aproveitem meus argumentos pra questionar suas próprias crenças – e ousar questionar a si mesmo será sempre um valioso exercício de liberdade. Fico feliz com isso, claro, pois acredito verdadeiramente que podemos conviver e aprender com nossas diferenças.

Não gosto de religião e não escondo isso. Considero a religião uma ameaça à liberdade pessoal e à harmonia entre os povos, além de ser um perigo pra democracia. Com exceção daquelas mais ligadas à Natureza, as religiões atuais foram criadas por homens e refletem a mentalidade patriarcal dominadora, com sua mania de conquista e seu eterno medo do feminino.

Já a religiosidade pessoal é outra coisa: é um anseio legítimo do ser, é o modo pessoal que alguém tem de lidar com o grande mistério da vida. Penso que num estágio mais avançado de evolução da espécie, o grande mistério será reverenciado de modo particular, no altar silencioso da intimidade de cada um, e não mais precisaremos de religiões institucionalizadas e seus aproveitadores da fé nem tentaremos converter ninguém pois já teremos compreendido que todas as maneiras de entender o mistério são verdadeiras.

Uma analogia possível seria com a sexualidade. Cada um de nós tem a sua própria sexualidade e, se a analisarmos bem de perto, veremos que ela é absolutamente única e que ninguém mais no planeta inteiro possui a mesma forma de viver o desejo sexual, com todas as mesmas nuances e contradições. Qual de todas essas sexualidades seria a única legítima e verdadeira, aquela que todos deveriam ter? Evidentemente nenhuma. Porque sempre que tentamos enquadrar a sexualidade, ela se mostra maior e mais complexa que qualquer critério de classificação. Assim, não faz nenhum sentido querer convencer alguém a adotar uma sexualidade certa ou abandonar uma sexualidade errada pois todas são manifestações legítimas da rica e diversa natureza humana.

Deixemos que cada um viva sua própria sexualidade e sua própria religiosidade. No entanto, rejeitemos toda tentativa de nos fazer crer que este ou aquele jeito de viver a sexualidade ou o mistério é que é o certo. O certo mesmo é nos aceitarmos uns aos outros.

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Do Blog Ricardo Kelmer – blogdokelmer.wordpress.com

Comentários

  1. Olá flor passando pra conhece seu blog , e adorei tudo estou seguindo vou adora ter vc no meu blog beijos flor..

    http://rosanadicasfemininas.blogspot.com/

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