O que há além da dor?
A música de uma trilha sonora tocava ao fundo, numa noite de segunda-feira. Havia a noite de que um avião havia caído dias antes. Chorei por pessoas que não conhecia. Mas não apenas isso que esmaga meu peito. Já fazia dias que não saía de casa. Não tinha ânimo. Não queria ver ou falar com ninguém. Já fazia muito tempo que estava assim. Nem lembro mais quando foi a última vez que quis alguma social. Sempre encontrava desculpas para não estar com ninguém. Uma dor latente pulsava lá no finzinho de algum lugar dentro de mim. Mas eu não chorava. Só tinha lembranças. E dor. Não era uma dor física, mas dor. Não era uma dor nos nervos ou na carne, mas ainda era dor. Talvez uma dor maior. Melancólica. Uma dor velha somada a uma velha dor. Elas se misturavam numa dor. Eu tinha olhado pelo vidro da porta. Havia luzes lá fora. Mas eu não queria sair. Por que se saísse também não sairia a dor. Talvez ela só crescesse mais. O que há depois da dor? Era a pergunta que me fazia e ainda...



