A condenação


Eu estou condenada. 

E isso já é mais do que posso suportar.

Eu fui condenada a passar o resto da minha vida sozinha. Isso já é muito.

A condenação é longa. A cumprimento da pena já dura mais de 30 anos.

Eu a pago em silêncio.

Recolhida na minha casa entre sorrisos esforçados e lágrimas noturnas.


Eu sigo condenada à solidão.

Os juizes atravessam os tempos e condenam muitas.

Um atende pelo nome de racismo e o outro de transfobia.

Me condenaram sem que eu pudesse me defender.


A minha defesa é o meu sangue e o meu silêncio.

A testemunha é a minha memória.

O meu quarto, a solitária.

O teto, o local da introspecção.

As janelas, o lugar de onde assisto o horizonte passar

Através de visões turvadas pelas lágrimas.


Eu estou condenada.

Não há mais nada o que fazer. 

A não ser aceitar a utopia resiliência.

E resistir ao desprezo.


Eu estou condenada.

E não há amor.

Há dor.

Entre temor. 


Eu estou condenada.

Uma vida de solidão e fracasso.

O alimento é o ódio.

O remédio o rancor.


Eu estou condenada.

E isso já é mais do que eu posso suportar. 





Comentários

Postagens mais visitadas