A conjuração dourada

Às vezes é preciso viajar até os domínios da morte para recuperar a vida que lá jaz. A caminhada, no entanto, não é simples; os pés sangram, as pernas fraquejam e os olhos veem o que não desejam. A boca seca, os ouvidos só captam o desespero e a pele arrepia com os ventos dos espíritos que, amedrontados, desesperam-se e movimentam-se a velocidade inimagináveis vendo nesse corpo transeunte pelos vales da morte a possibilidade de lá escapar. Só o mais brilhante dos corações dourados pode resistir a força esmagadora da morte, uma conjuração dourada num horizonte de incertezas. Após a travessia, só há lágrimas e memórias de uma vida colapsada no tempo-espaço dos nossos assassinos. Todo necroma, necessariamente deixa escapar um bioma e vice-versa. Pura multiplicidade fazendo vida-rizoma, rota de fuga no dourado que se estende pelo horizonte imaginário.


A conjuração dourada. Fotografia digital. 2019.

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