quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Tema: Transexualidade. Continuação.

DIFERENÇAS ENTRE A TRANSEXUAL E A TRAVESTI

A transexual se distingue e se diferencia dos homossexuais e das travestis. Quando o homossexual masculino se traja efeminadamente – estudos demonstram que apenas 15% assumem esse comportamento – não é porque quer ser mulher mas talvez porque deseja atrair outro homem que ele julga másculo. Ele convive com o seu sexo e não sente necessária repulsa por ver seus órgãos genitais. A travesti usa roupas femininas e o faz devido a satisfação emocional que esse agir lhe traz. Já a transexual veste roupas femininas porque é uma mulher e quer ser desejada e socialmente aceita como tal.

A transexual em fase pré-operatória geralmente se traveste, isto é, usa roupas do sexo ao qual se identifica. Mas são várias as diferenças entre a transexual que se traveste e a travesti. Segundo o psicólogo americano Gerald Ramsey podemos observar que:

·        Quando a transexual se veste como o outro sexo, isso inclui tudo, da cabeça aos pés. O travesti fetichista envolve muitas vezes menos do que um travestismo completo – focando, por exemplo, roupas de baixo ou meias-calças;

·        Geralmente, a transexual não não busca obter gratificação sexual. A maioria delas experimenta uma libido muito baixa;

·        Travestis em alguns países normalmente passam uma significativa parte das suas vidas vestidas não com trajes femininos mas de acordo com seu gênero natal biológico. A transexual não muda de papel mas adota um que é permanente;

·        Travestis gostam de si estimular sexualmente, ao passo que a maioria das transexuais não toca ou sequer expressa a posse dos genitais de nascença ou de seus caracteres sexuais secundários.

Tirando todas essas coisas, ainda assim, temos o fato da discrição, geralmente transexuais não tem necessidade se comportarem de maneira extravagante, exibindo grande seios ou bumbuns, são mulheres na essência portanto esses atributos não são fundamentais. O vocabulário é social tanto quanto seu comportamento, não demonstra trejeitos “efeminados” ou uso exacerbado de um vocabulário, digamos, diferente. Embora cada ser humano apresente suas próprias particularidades. 

Aspectos históricos

Não existem referências disponíveis a respeito de homens vivendo como mulheres ou mulheres vivendo como homens antes do Império Romano.

Filo, filósofo judeu helenizado do século I d.C. e morador em Alexandria, segundo Hyde (1994) e GREEN (1998), descreve homens que se travestem e vivem como mulheres, chegando até a se emascular e retirar o pênis. Seriam os chamados eunucos, termo que deriva da expressão grega para guardião ou zelador do leito. Aqueles que guardavam, sem riscos, os leitos das mulheres de seus senhores.

GREEN (1998) cita as descrições e poemas feitos pelos romanos Manilus e Juvenal acerca desses indivíduos que viviam e se comportavam como mulheres e tinham vergonha e ódio de serem vistos como homens. Esses eunucos, em Roma, tinham os testículos extirpados, mas muitas vezes mantinham seus pênis. Alguns, todavia, tinham os testículos e pênis removidos.

Aspectos mitológicos

Na mitologia greco-romana, segundo GREEN (1998), encontra-se referência a Vênus Castina, a qual, para GREGERSEN (1983, p. 71) seria a “deusa que se preocupa e simpatiza com os anseios de almas femininas presas em corpos masculinos”. Uma das várias denominações e especificações da deusa do amor, mais conhecida entre os gregos por Afrodite.

Existem diversas outras passagens mitológicas.

Elementos transculturais

Relatos etnográficos do mundo todo revelam fenômenos de mudança de gênero em muitas culturas e povos.

Várias tribos de índios norte-americanos têm relatos ou entendimentos míticos ou culturais de mudança de gênero.

Os mais famosos são os Yuman, que acreditam numa “mudança de espírito” após determinados sonhos que aconteceriam na puberdade. Nesses sonhos, jovens homens sonhariam que seriam mulheres e passariam a adotar a postura e os trejeitos femininos, sendo chamados de elxa. O contraponto feminino também ocorre e é chamado de kwe’rhame. Eles são aceitos pela tribo e passam a desempenhar os papéis do gênero atribuído e não mais os do gênero de nascimento. Entre os Yuman da Sierra Estrella acredita-se que a montanha tenha o poder de transformar o sexo dos meninos que desde cedo mostrariam essa mudança. Seriam os Berdache, homens que vivem como mulheres e são aceitos como tal. O contrário, mulheres que vivem como homens, também existe e é aceito. Isto revela uma aprovação social que permite a mudança de gênero.

Outras tribos são descritas como os Cocopa, os Mojave, Navajo, Jukis e Pueblo, tendo e aceitando os mesmos comportamentos. Há registros de "invertidos sexuais" também nas tribos Tupinambás.

O mesmo fenômeno se repete entre outros povos, desde tribos siberianas, africanas, brasileiras, da Patagônia e, inclusive, da Oceania.

Entre os indianos da cidade de Varanasi, ao norte da Índia, rituais de castração ou de se vestir como mulher é aceito e explicado culturalmente, como entre as hijras e os jankhas.

Segundo MONEY (1988), as hijras podem ser consideradas tanto indivíduos pertencentes a uma casta quanto a um culto. Possuem uma deusa própria, Bahuchara Mata e pela medicina ocidental podem ser considerados transexuais.

Em breve postarei mais alguns posts para ajudar no entendimento do tema como um todo bem como falarei com detalhes do tratamento clinico dado a essas pessoas nos centros de referência.

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