Nas brumas do simulacro
Certa noite despertei para ir ao banheiro
Cambaleante, decidi olhar no espelho
A minha imagem esmaecida congelou dentre o nevoeiro aparente de minha memória
Não havia nada
nem som,
nem cor,
nem cheiro
Só havia um insistente nevoeiro fazendo minha imagem esmaecer.
Era como se o espelho não refletisse minha imagem
Como se o espelho estivesse embaçado, preso às minhas angústias
Havia apenas as brumas de um simulacro.
O simulacro de algo que nunca existiu, mesmo sempre tendo existido
Uma impossibilidade compulsória do Ser
ser preta, sendo "morena"
ser mulher, sendo trans
ser acadêmica, sendo favelada
ser confiável, sendo louca
ser ouvida, sendo muda...
A impossibilidade do ser é como essa bruma que permite passar apenas o simulacro
Aquilo que dificulta o entendimento oportuno de si, um denso nevoeiro que impossibilita ver sua imagem
Seria essa a economia do não lugar?
O que fazer quando se está eternamente vagando entre limiares?
O que fazer quando se sente que tu és sempre uma intrusa?
Mergulha-se na bruma e faz-se invisível?
Há um devir-bruma em alguns corpos que não se dirige ao gênero, tão pouco à constituição sexual.
Um devir não é um processo identitário, nem poderia ser.
O devir tão pouco é aquilo que transforma alguém em algo, o devir não é um vir-a-ser, mas antes trata-se daquilo que faz passar linhas de forças afim de mergulhar num plano de imanência.
O devir ele mesmo é aquilo que faz passar intensidades.
Mas as intensidades dependem sobretudo de regiões e de conexões...
Para alguns corpos mergulhados nas brumas do simulacro tais conexões é um eterno vagar por regiões inóspitas e pouco acolhedoras.
Um eterno limiar entre o visível e o invisível
Uma eterna disputa entre o verdadeiro e o falso
Aquilo que impossibilita tal mergulho é um constante processo de fratura
Não há espaço no mundo que dê conta do mundo sem espaço.
Eu só queria me enxergar, mas tudo o que eu vi foram os traumas que mundo abriu em mim.
Nas brumas do simulacro tudo que se via era a impossibilidade de se ver.
Cambaleante, decidi olhar no espelho
A minha imagem esmaecida congelou dentre o nevoeiro aparente de minha memória
Não havia nada
nem som,
nem cor,
nem cheiro
Só havia um insistente nevoeiro fazendo minha imagem esmaecer.
Era como se o espelho não refletisse minha imagem
Como se o espelho estivesse embaçado, preso às minhas angústias
Havia apenas as brumas de um simulacro.
O simulacro de algo que nunca existiu, mesmo sempre tendo existido
Uma impossibilidade compulsória do Ser
ser preta, sendo "morena"
ser mulher, sendo trans
ser acadêmica, sendo favelada
ser confiável, sendo louca
ser ouvida, sendo muda...
A impossibilidade do ser é como essa bruma que permite passar apenas o simulacro
Aquilo que dificulta o entendimento oportuno de si, um denso nevoeiro que impossibilita ver sua imagem
Seria essa a economia do não lugar?
O que fazer quando se está eternamente vagando entre limiares?
O que fazer quando se sente que tu és sempre uma intrusa?
Mergulha-se na bruma e faz-se invisível?
Há um devir-bruma em alguns corpos que não se dirige ao gênero, tão pouco à constituição sexual.
Um devir não é um processo identitário, nem poderia ser.
O devir tão pouco é aquilo que transforma alguém em algo, o devir não é um vir-a-ser, mas antes trata-se daquilo que faz passar linhas de forças afim de mergulhar num plano de imanência.
O devir ele mesmo é aquilo que faz passar intensidades.
Mas as intensidades dependem sobretudo de regiões e de conexões...
Para alguns corpos mergulhados nas brumas do simulacro tais conexões é um eterno vagar por regiões inóspitas e pouco acolhedoras.
Um eterno limiar entre o visível e o invisível
Uma eterna disputa entre o verdadeiro e o falso
Aquilo que impossibilita tal mergulho é um constante processo de fratura
Não há espaço no mundo que dê conta do mundo sem espaço.
Eu só queria me enxergar, mas tudo o que eu vi foram os traumas que mundo abriu em mim.
Nas brumas do simulacro tudo que se via era a impossibilidade de se ver.
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