Breve reflexão: o abandono da casa
Uma "casa" só existe para ser abandonada, na medida em que voltamos a ela e dela partimos. Esse movimento compõe aquilo que Deleuze e Guattari chamam de ritornelo. Trata-se de um ethos cuja função é promover uma ética da experimentação e da criação, uma ética dos movimentos intensivos e desejantes que a vida vai nos apresentando em seu duplo processo de desterritorialização (toda desterritorialização é ao mesmo tempo também territorialização e reterritorialização).
Para os corpos e subjetividades trans* isso é em tudo um agenciamento de vida. No meu caso, volto à casa (Escola de Belas Artes) que outrora me quis abjeta para dela (e com ela) partir para outro lugar. É esse o movimento epistemológico de fronteira e é assim que nós, pessoas trans, vamos movendo o mundo na mesma medida que o mundo nos move (ou se move em nós). Avante!
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